Competição, planejamento e transparência: a receita de sucesso para o novo mercado do gás no Brasil

A primeira edição do Enase Gás reuniu os principais agentes do setor e membros do governo durante dois dias de debates qualificados que sinalizaram o sentimento dos agentes do setor, face aos novos rumos do novo mercado do gás no Brasil.

No primeiro dia do Enase Gás, durante os painéis Abertura e Desconcentração do Mercado e Perspectivas da Oferta Interna de Gás os executivos debateram os cenários e perspectivas do novo mercado do gás em relação ao Mercado Livre de Energia e como deve ficar o mercado com a modernização regulatória e o fluxo do ambiente de negócios a partir de novas demandas. 

O segundo dia do evento trouxe como temas questões que são o desafio prático a serem enfrentados com a abertura do mercado, como a integração entre o novo mercado do gás com o setor elétrico e o industrial; preço; transporte e distribuição.

Em linhas gerais, os agentes sinalizaram durante os debates a preocupação com a estruturação planejada para o escoamento e distribuição do gás produzido; o estabelecimento de regras claras e que deem previsibilidade a investidores; uma regulação bem desenhada que evite futuras avalanches de judicialização e muito cuidado para que não se repita os erros do setor elétrico.

Ao longo dos dois dias de palestras e debates, observou-se que será preciso uma iniciativa para rotas de transporte offshore que permitam a competição gás X gás o que é, de fato, o indutor da redução de preços. Os executivos do setor ainda anseiam para que haja uma sinalização da instalação da infraestrutura para o escoamento do gás, o que, segundo os agentes, deverá seguir a dinâmica de mercado, a partir do aumento da produção em uma ponta e a demanda em outra ponta.

Além disso, é uma preocupação comum a forma como o novo mercado do gás irá se integrar ao setor elétrico considerando o Sistema Interligado Nacional no País e a mudança da matriz elétrica com a expansão das fontes renováveis, cuja intermitência é uma característica importante na operação. Uma alternativa para compensar esta intermitência apontada pelos executivos nos próximos anos, serão as térmicas a gás.